TPM tem remédio

Junho 20th, 2011 em Notícias

Além do mau humor, transtorno pode causar danos psíquicos, físicos e sociais, mas avanços da medicina amenizam o problema.

Márcia Maria Cruz*, De Florianópolis

Homens e mulheres são afetados pela tensão pré-menstrual, a TPM. Não há quem não a conheça ou sinta seus efeitos independentemente do gênero (veja pesquisa na página 4). No entanto, apesar disso, existe um desconhecimento grande em torno do transtorno: muitos fazem ironia, como se fosse apenas um capricho das mulheres. Tal postura é adotada até mesmo por uma parcela de médicos. Encarado como apenas um mau humor, o problema pode ser mais danoso do que indica o senso comum. São diversos os danos psíquicos, físicos e sociais às mulheres. O assunto foi tema da Reunião de Experts da América Latina: Os avanços em contracepção e TPM, realizado este mês, em Florianópolis (SC).

No campo científico, ainda há muitas dúvidas em relação ao diagnóstico do transtorno e as formas de tratá-lo. Por se caracterizar por sintomas físicos, como inchaços, dores de cabeça e nos seios, e emocionais, como nervosismo, irritação, é difícil estabelecer um quadro preciso da paciente. Os especialistas reconhecem que muitos colegas ignoram as queixas das pacientes ou prescrevem um conjunto de medicamentos que nem sempre trazem os resultados esperados.

O estudo Tensão pré-menstrual: perspectivas e atitudes de mulheres, homens e médicos ginecologistas no Brasil, ainda em andamento no Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas, na Unicamp, está traçando um quadro qualitativo e quantitativo da TPM no Brasil.

Coordenada pelo ginecologista Carlos Alberto Petta, a pesquisa entrevistou 1,2 mil mulheres nas cinco regiões do país, e o resultado parcial, com as respostas de 860 delas, surpreendeu especialistas que são referência nacional e internacional no estudo do tema. Cerca de 60% das entrevistadas disseram ter TPM e 19% declararam que já tiveram os sintomas.

O percentual indica que oito em cada 10 mulheres sofrem ou sofreram com o distúrbio. O número surpreende, porque os médicos trabalhavam com uma estimativa de que 45% das mulheres teriam TPM ou síndrome pré-menstrual. Outras 40% teriam sintomas vagos antes da menstruação, que não se caracterizariam como um problema, e 5% teriam a síndrome disfórica pré-menstrual (SDPM), o nível mais grave.

O estudo indica também que, quanto mais bem informadas, mais as mulheres percebem a dimensão do transtorno na vida. Os números sugerem que mulheres mais instruídas estão mais atentas aos sintomas. O raciocínio contrário, portanto, indica que as menos escolarizadas podem sofrer tanto quanto as outras, mas não identificam os sintomas. Quem trabalha fora se mostra também mais atenta. Cerca de 62% disseram ter a doença, contra 53% que não têm um trabalho remunerado.

É ASSIM MESMO Outro dado surpreendente é que apenas 40% das entrevistadas disseram se consultar por causa da TPM. A ida ao médico também está relacionada ao nível de escolaridade e ao status socioeconômico. Petta conclui ser necessário mais informações para as mulheres e também mais orientação para os médicos abordarem o tema. Isso porque cerca de 23,5% das que procuraram a ajuda de um especialista ouviram “é assim mesmo”, não recebendo a orientação para nenhum tipo de tratamento. Quase a metade (48,4%) foi orientada a tomar um medicamento ou hormônios e 22,2% a praticarem algum exercício físico.

De acordo com o 1º Consenso Latino-Americano sobre TPM, o diagnóstico da síndrome disfórica pré-menstrual deve ser feito a partir do acompanhamento mensal dos sintomas da paciente, sendo necessários cinco sinais físicos e pelo menos um emocional para caracterizá-lo.

O trabalho foi coordenado por um grupo de especialistas da América Latina, entre eles o professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Luis Bahamondes. Publicado no jornal científico Disease Management & Health Outcomes, o documento aborda questões relacionadas à epidemiologia, diagnóstico e tratamento. “Trata-se de um estudo inédito, pois, apesar de muito divulgada, a síndrome só passou a ser reconhecida pela medicina na década de 1980”, afirma.

ESTADO DE MINAS – MG 24/03/2008

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  • Biológica comemora seus 23 anos

    Junho 6th, 2011 em Reconhecimento

    Junho é um mês especial para a Farmácia Biológica, afinal é nele que comemoramos o nosso aniversário, nesse ano completamos 23 anos de saúde, qualidade e economia!

    Ao longo desse tempo nos sentimos orgulhosos por tê-lo atendido, contribuindo para a sua melhor qualidade de vida. Assim, você já faz parte da nossa história!

    Em nossa atuação obtivemos muitas conquistas, frutos de nosso aperfeiçoamento constante e da nossa missão: promover saúde e beleza a luz da ciência e da arte.

    Temos muito a comemorar, mais o nosso maior presente é ver você feliz!

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  • Dermotoína: revolucionário produto em cápsulas trata a pele madura com a mais alta tecnologia

    Junho 6th, 2011 em Dicas de Saúde e Beleza

    Indicado para uso noturno, novo dermocosmético da Biomarine reintegra os elementos vitais e estruturais da célula, tornando a pele rejuvenescida e com toque aveludado

    Numa época em que a expectativa de vida está cada vez maior, um dos grandes desafios da cosmetologia é desacelerar o processo natural de envelhecimento, incluindo o da pele. Para o tratamento da pele madura, a Biomarine está lançando Dermotoína, revolucionário produto especialmente indicado para combater os efeitos da menopausa que afetam a face.

    O declínio hormonal provocado pela menopausa ocasiona várias alterações no organismo. Na pele, causa secura, atrofia, aparecimento de rugas, diminuição da capacidade de cicatrização e flacidez. A deficiência de estrogênio – o mais importante hormônio feminino – ocorrida por volta dos 45 a 55 anos faz com que diminua a quantidade de fibroblastos – células responsáveis pela produção do colágeno que, junto com outra proteína, a elastina, compõe a trama de sustentação da pele.

    As mulheres apresentam naturalmente quantidade menor de colágeno e são as que mais sofrem com sua perda – 30% nos primeiros cinco anos da menopausa e 2,1% por ano depois de seu início.

    Dermotoína vem em cápsulas pré-dosadas de aplicação única. É indicado para o cuidado da pele de mulheres acima de 45 anos. A Biomarine levou dois anos para desenvolver tanto o produto como seu formato e embalagem.

    O novo produto contém tecnologia inovadora que age de forma “inteligente”: promove a correção prematura das rugas e dos sinais da idade. Sua ação promove firmeza na pele menopausada, melhorando o tônus e redefinindo o contorno facial.

    As cápsulas anti-idade têm alta taxa de permeação cutânea e são de uso noturno: quando os órgãos estão em repouso, a circulação sanguínea aumenta, o que facilita a assimilação dos ativos. Assim, a pele fica mais receptiva a tratamentos que reforcem o sistema de proteção e reparação celular.

    Dermotoína contém os seguintes ativos:

    Anti-OX Night: Exclusivo sistema com ação global sobre todas as manifestações do envelhecimento cutâneo, por meio da associação balanceada de biopeptídeos, micronutrientes e antioxidantes. Favorece a restauração do sistema imunológico cutâneo.

    Fator de Crescimento Epidermal: Compõe-se de proteínas responsáveis pela “comunicação celular”, que promovem aumento do processo de cicatrização e reconstituição da pele, além de estimular a produção de matriz extracelular e auxiliar na reversão dos sinais de envelhecimento.

    Caviar: Substância marinha extremamente rica em nutrientes que confere alto poder hidratante, renovador e nutritivo.

    Soja: Contém genisteína, com função semelhante ao estrógeno, além de exercer intensa ação hidratante.

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  • Inchaço da pálpebra

    Junho 6th, 2011 em Notícias

    No olho possuímos a pálpebra superior e a inferior. Entre as funções mais importantes das pálpebras estão a proteção do globo ocular e a distribuição da lágrima durante o piscar, evitando que os olhos fiquem secos.

    O inchaço da pálpebra, também chamado de edema palpebral, pode ocorrer em uma das pálpebras (inferior ou superior), ou em ambas. Existem algumas situações que podem levar à ocorrência deste tipo de edema. Dentre as situações causadoras de inchaço na pálpebra, podemos citar: processos alérgicos, calázio, hordéolo (terçol), além de irritações oculares, que podem ser causadas por uma grande quantidade de agentes, como poeira, agentes químicos, cosméticos, insetos, entre outros. Além disso, podemos ter outras causas menos comuns, como tumores palpebrais e alterações da tireóide.

    Os inchaços costumam apresentar-se mais intensos no período da manhã, e podem então ser considerados como um sintoma, que possui algum elemento causador e precisa ser identificado.

    Apesar do efeito estético comumente causar grande incômodo em seu portador, a causa do problema será o elemento fundamental para o seu controle. Assim, em qualquer situação em que ocorra o aparecimento de inchaços palpebrais, é muito importante que seja feita uma avaliação com o médico oftalmologista, para que este possa avaliar o caso, assim como dar os devidos seguimentos de acordo com cada situação.

    A avaliação médica oftalmológica é fundamental para o correto tratamento do sintoma (inchaço palpebral), assim como de seu elemento causador. Caso a origem do problema não seja oftalmológica, o médico oftalmologista fará os encaminhamentos necessários para outras áreas de especialidade.

    Francisco Eugênio Campiolo, oftalmologista

    FOLHA DE LONDRINA – PR 09/12/2008

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  • Infecção Urinária

    Maio 30th, 2011 em Notícias

    A infecção urinária apresenta incidência mais frequente na mulher, principalmente pela constituição anatômica. A uretra mais curta e a proximidade com o períneo são fatores que predispõem à maior facilidade de contaminação com as bactérias vaginais e intestinais.

    A mulher está mais predisposta às retenções urinárias, estases urinárias (dilatações das vias urinárias) em razão da atividade reprodutiva. A atividade sexual, a gravidez, o parto e o aborto constituem os momentos que a expõem a maior possibilidade de contaminação por elementos que causam a infecção (bactérias, fungos e vírus). A infecção urinária no homem mais frequentemente vem acompanhada com cálculo, obstruindo parcialmente as vias urinárias.

    Os sintomas da presença de infecção urinária são principalmente vontade frequente de urinar, dificuldade para urinar, ardência e queimação para urinar, coloração da urina com aspecto mais purulento e/ou sanguinolento, febre de intensidade variável, dor no baixo ventre, dor lombar às vezes associada à indisposição geral.

    Podem estar associados sintomas como náuseas e vômitos. Deixar de urinar quando deseja, isto é, retenção urinária voluntária, relações sexuais demoradas sem a devida lubrificação vaginal, higiene perineal com contaminação de material fecal e ingestão de pouco líquido são fatores importantes na infecção urinária de repetição (três ou mais episódios por ano).

    Embora possam existir outras fontes de contaminação, habitualmente a infecção urinária se faz por meio da via canalicular, quer seja por meio da uretra. O micro-organismo mais frequente que provoca a infecção é a E. coli, que está presente em torno de 80% dos casos.

    Em geral o tratamento e a recuperação são rápidos e eficazes. Todavia em algumas situações em que a bactéria ascende aos rins, traz repercussões com sintomatologia mais ruidosa. Em situações ainda mais graves, dependendo do tipo de bactéria, pode levar a uma infecção geral no organismo.

    FOLHA DE LONDRINA – PR 17/02/2009

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  • A hora é esta! Relógio biológico pode ser um importante guia na hora de escolher o melhor horário para dormir, acordar e fazer uma série de atividades.

    Maio 30th, 2011 em Notícias

    Vanessa Jacinto

    Quando começar a ler esta matéria, provavelmente você já terá reclamado algumas vezes da segundona que bate à sua porta. Com ela, a ditadura dos horários. Hora de acordar, de tomar café, de ir para o trabalho ou para a escola. Hora daquela reunião chata para a qual você não teve tempo de se preparar. Hora para decidir, para lembrar, para pensar no orçamento e nos gastos do próximo mês. Ah! Ainda tem que sobrar um horário para se divertir e fazer atividade física.

    Com tanta programação, não é de estranhar que a segunda-feira seja um dia difícil. Um dos motivos para tanto mau humor talvez esteja na mudança dos ponteiros do nosso relógio biológico. Depois de experimentar horários menos rígidos no sábado e no domingo, o organismo tem que, numa curta fração de tempo, se reajustar para voltar à labuta cotidiana.

    Se pudesse recomeçar com outro ritmo marcado – o do seu próprio corpo –, certamente você sofreria menos. A estudante de psicologia Renata Cordeiro, por exemplo, faria uma revolução nos seus horários. Ela dormiria entre 2h e 4h e acordaria às 12h. Começaria a trabalhar às 14h e, somente depois das 22h, iria para a escola. “Definitivamente, não funciono bem de manhã. Detesto o dia e sou muito mais produtiva e sociável à noite”, enfatiza.

    Mesmo quem não se enquadra num perfil tão extremo pode sentir necessidade de fazer ajustes como, por exemplo, dormir uma hora a mais, ou estudar no período da tarde. “O que determina a agenda do corpo é o sistema de temporização, instalado no hipotálamo”, explica o biomédico Luiz Menna-Barreto, do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, os ritmos biológicos são ditados, por exemplo, pelos ritmos do tempo, pelos ciclos hormonais e o ciclo vigília/sono, entre outros.

    A ciência que se ocupa desse estudo é a cronobiologia, que busca compreender como os nossos ciclos, especialmente os circadianos (referentes às mudanças que ocorrem em um dia) funcionam. Mas os aspectos ambientais são igualmente importantes, principalmente a alternância entre luz e escuridão. É a diminuição de claridade no ambiente que estimula a secreção da melatonina, hormônio que induz o sono. Outro importante sincronizador do funcionamento do corpo é o convívio social, que estabelece horários para o trabalho, alimentação e exercícios. “As informações dessa área vêm sendo crescentemente incorporadas em diversos ramos da ciência, proporcionando conhecimento de nossas aptidões e limitações nos distintos momentos”, diz Menna.

    Assim, entender como andam os ponteiros do corpo é importante para, no que for possível, cada pessoa tentar readequar seus hábitos – do horário escolhido para a atividade física até aquela soneca logo depois do almoço. O objetivo é ganhar mais conforto e qualidade de vida.

    ESTADO DE MINAS – MG 30/04/2008

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  • Artrite reumatóide e suas complicações

    Maio 16th, 2011 em Notícias

    Uma das características mais importantes para se diagnosticar a artrite reumatóide (AR) é a presença e o tempo de duração da rigidez matinal. No exame físico, o médico vai procurar por sinais, como inchaço, dor, calor e limitações dos movimentos das articulações. É esta condição que, por exemplo, faz com que as pessoas acometidas pela doença tenham limitados seus movimentos.

    Com efeito, ações corriqueiras, como pentear o cabelo, abrir uma porta ou amarrar os sapatos podem se tornar um pesadelo. A AR é uma doença inflamatória autoimune, crônica e progressiva, que danifica as juntas do corpo, principalmente as das mãos, comprometendo a vida produtiva dos pacientes, incapacitando-os para o trabalho e atividades de rotina.

    De acordo com o reumatologista Roger Levy, presidente da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro, a doença não pode ser prevenida, mas descobrir o problema precocemente e tratá-la de forma adequada, contribui para evitar as deformidades, por isso pessoas com dor persistente nas juntas e rigidez articular devem procurar um especialista.

    “Apesar de não ter cura, a eficiência das novas terapias (ver quadro) tem cooperado para um melhor controle da doença”, se anima. Na última década, medicamentos desenvolvidos por biotecnologia trouxeram uma nova abordagem terapêutica para aqueles pacientes que não respondem ao tratamento padrão, que é realizado com antiinflamatórios não hormonais e corticóides.

    Como são as mais afetadas pela doença, é importante que as mulheres tenham conhecimento dos sinais e sintomas da AR e procurem tratamento médico adequado ao primeiro sinal da doença.

    Componentes hereditários

    Segundo o reumatologista David Cezar Titton, do Laboratório de Artrite Reumatóide do Hospital de Clínicas da UFPR, um tratamento eficaz pode atenuar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida da paciente.

    O alerta é para que aquelas que sofram do problema, desempenhem papel ativo no seu tratamento, obtendo maiores informações sobre a doença e, auxiliando nas várias etapas do tratamento.

    Levy esclarece que a artrite reumatóide não é uma doença hereditária, apesar de estudos recentes mostrarem que alguns genes que regulam o sistema imunológico podem estar relacionados a maior suscetibilidade ao desenvolvimento da doença.

    “Isto se comprova pelo surgimento da doença em componentes de uma mesma família”, reconhece. De acordo com ele, acredita-se que fatores como infecções, variação dos níveis de alguns hormônios, alterações ambientais e até o hábito de fumar, possam provocar à ativação desses genes. Apesar de afetar principalmente as mulheres, a doença pode, também, ter início na infância e em idade mais avançada.

    Enfermidade destrutiva

    Estima-se que 1% da população mundial seja afetada pela AR, número que no Brasil pode chegar a dois milhões. A progressão da doença dificulta os movimentos e afeta diretamente a qualidade. Como diz a psicóloga e terapeuta Lenice Pimentel, as vítimas da artrite reumatóide se comportam como pássaros domésticos: são tímidos e quietos.

    “Assim como o retorcido das juntas, na infinidade de medicamentos, na dor que se alonga e causa sofrimento, e no sentimento de inutilidade”, constata. “No começo, sentia muitas dores nas juntas. Passei por momentos terríveis, ficando revoltada e não aceitando a situação”, desabafa S.R.C. 36 anos, que há três anos “descobriu” a doença.

    Para a médica e pesquisadora André Rubbert-Rothg, da Universidade de Colônia, na Alemanha, o desafio dos novos medicamentos é interromper a progressão da doença, pois, além de ser reconhecida como uma enfermidade destrutiva, a artrite reumatóide não tem prevenção nem cura, requerendo tratamento para toda a vida, podendo diminuir consideravelmente a expectativa de vida do seu portador.

    A pesquisadora explica que o maior dano estrutural causado pela doença ocorre nos primeiros dois anos do seu surgimento. “Neste período, se não tratados, os pacientes com AR podem passar de incapacidade moderada para total, rapidamente”, adverte.

    Sinais e sintomas mais comuns

    >    Inchaço, vermelhidão e calor nas juntas
    >    Dor prolongada e rigidez que duram mais de 30 minutos
    >    Cansaço ou uma sensação geral de mal-estar
    >    Febre baixa, perda de peso e anemia
    >    Nódulos sob a pele

    Dores simétricas

    A artrite reumatóide costuma atingir muitas juntas e por muito tempo, geralmente dos dois lados do corpo (simetria) predominando as articulações dos braços e pernas.
    >    Punho – Região que inclui muitas juntas, entre os oito ossos do punho e os ossos do antebraço e das mãos, é sede freqüente de alterações da doença
    >    Mãos – Tanto nas articulações entre a mão e os dedos como as articulações entre os primeiros ossos dos dedos, falange e falanginha
    >    Tornozelo e pés – Também são atingidos com freqüência
    >    Joelhos, cotovelos, quadris e ombros – Articulações maiores que podem ser comprometidas, com grande risco de evoluir com artrose secundária à artrite.

    O ESTADO DO PARANÁ – PR 08/08/2008

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  • Dores podem ter origem na boca

    Maio 16th, 2011 em Notícias

    Você não tem tempo para comer direito e vive beliscando qualquer coisa. Esse hábito cada vez mais comum, aliado a problemas bucais, pode resultar em dores na coluna cervical. Tudo começa com a consistência da comida que ingerimos atualmente. Elas são mais fáceis de mastigar e isso faz com que a musculatura da face deixe de exercer a função para a qual ela foi criada. ”Mastigar bem produz um relaxamento da musculatura”, diz o cirurgião dentista Lauro Delgado, especialista em estética e reabilitação oral. Ele explica que a falta de mastigar alimentos mais duros, aliada a problemas bucais como contato prematuro (ao fechar a boca um dente tem contato antes que os demais), uma obturação mal feita ou o apinhamento (dentes encavalados) resultam em problemas de mordida que quase sempre geram uma disfunção na articulação terporomandibular, mais conhecida como ATM. E, numa sucessão de mordidas erradas, desgastes e compensações, o corpo se encarrega de adequar, nesse caso negativamente, articulações, músculos e ossos, que resulta em dores na coluna cervical.

    ”Estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos mostram a forte relação entre a postura corporal com atividades vitais como respiração e, principalmente, alimentação”, explica o cirurgião dentista Francisco Rogério Aguiar de Menezes.

    Ele lembra que a coluna vertebral também envolve uma série de nervos, tendões, músculos e ligamentos que doem quando há algo errado e que não é comum as pessoas relacionarem problemas bucais com alterações no organismo. ”No geral, quando sentem dores nas costas, as pessoas procuram um especialista em coluna, um ortopedista, mas na consulta descobre-se que a origem do problema está na boca”, diz. ”Quando a mordida não é perfeita, a mandíbula se desvia lateralmente para fazer o ajuste e compensar o desequilíbrio”, acrescenta. Como resultado, temos uma mordida desalinhada e a mandíbula sobrecarregada de um só lado. Dessa forma, os músculos do pescoço, e a seguir da coluna cervical, acompanham esse novo posicionamento na tentativa de compensar o desvio causado na boca. ”Assim, temos um problema desencadeado e, a seguir, refletido na coluna cervical”, diz ele.

    FOLHA DE LONDRINA – PR 16/03/2009

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  • Cheiro de corpo

    Maio 16th, 2011 em Notícias

    Os odores que exalamos podem causar atração ou repulsa, além de indicar distúrbios; entenda como isso ocorre e saiba quais são os mecanismos do olfato.

    IARA BIDERMAN
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    AMARÍLIS LAGE
    DA REPORTAGEM LOCAL

    Em uma sociedade perfumada e desodorizada como a nossa, às vezes é difícil definir e até reconhecer os cheiros produzidos por nosso corpo. Eles não são, necessariamente, algo a ser disfarçado com produtos de higiene, embora estes também tenham a sua função de transformar o que captamos por meio do bulbo olfativo em sensações agradáveis. Mas os odores corporais vão muito além da perfumaria. Eles são a expressão de substâncias químicas voláteis presentes no organismo, que podem tanto indicar a presença de algum distúrbio como gerar reações primitivas e não racionais de atração ou repulsa.

    Os especialistas conseguem explicar melhor os mecanismos de cheiros considerados desagradáveis, como a bromidrose (odor provocado pela ação de bactérias no suor). Já os odores corporais considerados agradáveis são mais difíceis de explicar. O cheiro do bebê , por exemplo, tem causas difíceis de definir, mas efeitos poderosos e sensíveis. Ele estimula a produção de oxitocina, “o hormônio do afeto e das relações doces e puras”, de acordo com a endocrinologista Vânia Assaly, da International Hormone Society. Relacionada às contrações do parto e à produção de leite na amamentação, a oxitocina é responsável pela sensação de prazer que a presença de um bebê traz -sensação especialmente forte na relação da mãe com o filho, pois ela também identifica, pelo odor de sua cria, a própria identidade genética.

    Além disso, a reação aos odores tem fortes componentes subjetivos e culturais. A repulsa a determinado cheiro pode estar ligada à memória olfativa individual, que associa o odor a situações ruins vividas. Hábitos socioculturais podem, ainda, determinar o grau de aversão ou atração a certos cheiros.

    Características genéticas também podem fazer com que as pessoas tenham uma percepção diferente dos cheiros, diz Bettina Malnic, professora do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo). “Um estudo recente mostrou que pessoas com um gene que havia sofrido mutação consideravam agradável o cheiro da androesterona, substância derivada da testosterona e presente no suor e na urina. Já as com o gene normal achavam o odor desagradável.”

    Para entender melhor o que acontece com os odores corporais e por que exalamos diferentes cheiros, a Folha consultou especialistas de diferentes áreas -endocrinologistas, dermatologistas, nutricionistas e especialistas em perfumes, entre outros. Leia a seguir suas explicações para 15 dúvidas sobre os cheiros do corpo.

    1. Todo suor tem cheiro?
    Apenas o suor produzido pelas glândulas apócrinas causa mau cheiro. Este ocorre quando as bactérias naturalmente presentes na pele entram em contato com as proteínas e gorduras que fazem parte da composição desse suor, causando o odor desagradável conhecido como bromidrose.

    2. Por que os adolescentes costumam ter odores corporais mais acentuados?
    A partir da puberdade, começam os primeiros picos de esteróides -hormônios sexuais produzidos inicialmente na glândula supra-renal e depois nos ovários e nos testículos. Essa mudança hormonal também faz com que as glândulas sudoríparas apócrinas, até então inativas, comecem a funcionar. Localizadas nas axilas e na região genital, essas glândulas produzem o tipo de suor que, em contato com as bactérias da pele, causam o mau cheiro.

    3. Mulher tem cheiro diferente de homem?
    Na mulher, os odores corporais oscilam em relação ao ciclo menstrual. Há fases que propiciam o aumento de uma bactéria natural da flora vaginal e do ácido lático, protetor da vagina. As secreções produzidas nesse período têm um odor típico, diferente do produzido em outras fases, mas que é normal. No homem, a maior concentração de androsterona (substância derivada da testosterona) no suor e na urina causa um odor característico.

    4. O cheiro interfere na atração sexual?
    Teoricamente, a mulher na fase fértil pode transmitir um cheiro que informa ao homem que está mais receptiva ao sexo. Estudos também sugerem que elas seriam capazes de identificar, pelo “cheiro”, homens com perfil imunológico complementar ao delas. Esse seria o odor dos feromônios, substâncias ligadas ao reconhecimento sexual. Trata-se de um mecanismo comprovado entre os animais mamíferos, que garante filhos mais fortes.
    Em humanos, o tema é polêmico. Isso porque a identificação dos ferômonios é feita por uma estrutura chamada órgão vomeronasal. Embora nós tenhamos essa estrutura, acredita-se que ela seja só um resquício de nossos ancestrais, sem função atual.

    5. Existe cheiro de bebê?
    O suor do bebê vem das glândulas écrinas e, portanto, não produz cheiros perceptíveis. Mas há um odor de bebê, difícil de definir, que cada mãe consegue identificar como o de seu próprio filho.
    O provável cheiro de bebê é relacionado às sensações causadas pela oxitocina -hormônio em que a mulher fica como que embebida na relação de cuidado e amor com sua prole. Uma grande quantidade de oxitocina é liberada durante o trabalho de parto e a amamentação. O hormônio é detectado por receptores do centro emocional do cérebro, o sistema límbico, e produz sensações de conforto e prazer. Pesquisas apontam que a oxitocina tem um papel central na criação de vínculos entre a mãe e sua prole.

    6. Por que perfumes “pegam” mais em algumas pessoas?
    A fixação do perfume varia de acordo com o tipo de pele. Ele se fixa melhor nas peles oleosas do que nas secas. Quando o extrato córneo (superfície da pele) é mais grosso, a fixação é menor. Em quem sua muito, o perfume também se fixa menos: o suor dilui as essências antes de elas penetrarem na pele.

    7. Os odores corporais mudam com o tempo?
    No envelhecimento, a diminuição da produção dos hormônios sexuais faz com que os odores corporais sejam diferentes. A alteração dos níveis de líquidos corporais também pode influenciar o cheiro. Além disso, podem surgir odores relacionados a doenças específicas, mais prevalecentes na população mais velha.

    8. Existe cheiro de doente?
    Em qualquer idade, doenças causam mudanças nos odores exalados pelo corpo. São características as infecções de garganta, alterações digestivas e halitoses. Micoses, principalmente nos pés, também causam odores característicos. Outras doenças que se manifestam pelo cheiro são as ginecológicas e as renais. A insuficiência renal produz o odor urêmico, causado pela alta concentração de uréia no organismo.
    Infecções vaginais também eliminam odores típicos. Na mulher, eles se tornam mais perceptíveis após a menstruação ou a ocorrência de relação sexual. Nestas ocasiões, o pH vaginal se torna mais básico, facilitando a liberação do odor produzido por bactérias.
    Doenças da tireóide interferem na produção das glândulas sudoríparas, mudando indiretamente o odor.

    9. O nosso cheiro depende do que comemos?
    Algumas comidas influenciam o cheiro que exalamos. Mas é um efeito transitório: dura o tempo necessário para a metabolização e eliminação das substâncias responsáveis pelo odor. Em muitos alimentos, essa eliminação é mais perceptível no hálito. Mas há alguns que também são exalados pelo suor. Os que mais causam esse efeito são os que contêm enxofre, como o alho e a cebola. O consumo excessivo de proteínas aumenta a produção de amônia, que se manifesta em um suor com cheiro mais intenso. Dietas com grande restrição de carboidratos também podem modificar os odores corporais. Nesses regimes, a escassez da principal fonte energética do corpo faz com que as reservas de gorduras sejam utilizadas para gerar energia. O metabolismo acelerado de gorduras produz substâncias chamadas corpos cetônicos, causadoras de um odor característico. Esse processo também pode alterar o odor corporal de diabéticos.

    10. A hiperidrose afeta o cheiro do corpo?
    A hiperidrose é a produção excessiva de suor, provavelmente por predisposição hereditária, mas sem causa definida. Ela se manifesta em áreas localizadas do corpo, como palma das mãos, planta dos pés, faces ou axilas. Em regiões como as mãos ou a face, onde não há glândulas apócrinas, não causa necessariamente mau cheiro. De qualquer forma, ao aumentar a umidade da pele, o problema propicia o crescimento de bactérias e fungos que podem causar odores ruins. Quando os sintomas são intensos, o tratamento é cirúrgico. Também é aplicada toxina botulínica, mas seus efeitos são passageiros -duram de seis meses a um ano.

    11. O que causa o mau hálito?
    O sintoma pode ter inúmeras causas. Mas, em geral, há um fator comum: as bactérias proteolíticas. Presentes naturalmente na língua, elas ajudam a “quebrar” as proteínas existentes no local, liberando pela boca um derivado do enxofre, de odor desagradável.
    Assim, quem consumir muita proteína (como carnes e laticínios) e não limpar bem a língua proporcionará um ambiente adequado a essas bactérias e terá mau hálito. O consumo de álcool e de alimentos muito quentes, salgados ou condimentados e o fumo causam o ressecamento e a descamação da mucosa bucal, cujas células, ricas em proteína, se depositam na língua. Nesses casos, uma boa higiene bucal feita também com um limpador lingual pode melhorar o quadro.
    Mas existem também as causas patológicas, dentre as quais a mais comum é a hiposalivação -a falta de saliva leva ao ressecamento e à descamação da mucosa bucal. Já os problemas de estômago representam apenas de 3% a 5% dos casos de mau hálito e costumam estar relacionados ao refluxo gastroesofágico, que leva o paciente a exalar um cheiro de vômito.

    12. Quando sentimos medo exalamos um odor diferente?
    Situações de estresse interferem no odor exalado pelo corpo de duas formas. Ao mesmo tempo em que aumentam a produção das glândulas sudoríparas, liberam uma série de hormônios no sangue, que serão exalados junto com o suor, mas nem sempre são perceptíveis.

    13. desodorante é igual a antiperspirante?
    Não. O desodorante, além de ter aromas que mascaram o cheiro, tem substâncias anti-sépticas, que combatem a ação das bactérias, e compostos que absorvem as secreções. O antiperspirante inibe a produção das glândulas sudoríparas, obstruindo o poro por onde sai o suor.

    14. O que gera o chulé?
    O mau cheiro nos pés é causado pela proliferação de bactérias e fungos, que podem estar presentes na pele ou ser adquiridos no ambiente. Esses microorganismos se desenvolvem quando encontram um meio de cultura propício: quente, úmido e escuro.
    Embora o pé não tenha glândulas sudoríparas apócrinas, a umidade causada pelo suor associada a hábitos como o uso de sapatos fechados favorece o surgimento de infecções e micoses que produzem o cheiro desagradável.

    Fontes: ANDRÉ CAVALCANTI, urologista da Sociedade Brasileira de Urologia; BETTINA MALNIC, professora do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo); CLÁUDIO BONDUKI, ginecologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); DAIANE ROCHA, presidente da ABPO (Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca); FÁBIO PINNA, médico do grupo de rinologia do HC (Hospital das Clínicas) da USP; GABRIELA PEREIRA DA COSTA OLIVEIRA, nutricionista do Ganep Nutrição Humana (SP); LUIZ EDUARDO VILLAÇA LEÃO, chefe do departamento de cirurgia toráxica da Unifesp, especialista em cirurgia para hiperidrose; MAURÍCIO DE SOUZA LIMA, hebiatra do HC da USP; OSMAR MONTE, endocrinologista, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo; RENATA ASHCAR, autora do “Guia do Perfume” (ed. Duetto); SOLANGE PISTORI TEIXEIRA, dermatologista da Unifesp; VÂNIA ASSALY, endocrinologista e nutróloga, membro da International Hormone Society

    FOLHA DE SÃO PAULO – SP 29/05/2008

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  • Hipocondria acomete 8% dos brasileiros

    Maio 9th, 2011 em Notícias

    AYCHA NUNES

    A história é quase sempre a mesma: basta surgir a notícia de uma nova doença atacando lá no continente asiático e a pessoa tem a certeza de que será o primeiro sul-americano a contraí-la, na verdade, é bem provável que ela já esteja sentindo alguns sintomas estranhos há alguns dias. O cenário pareceu familiar? Porque é muito provável que você conheça alguém assim. Exageros à parte, a história reflete as características de quem sofre de um distúrbio psicológico chamado hipocondria. Estima-se que 8% dos brasileiros sejam hipocondríacos, pessoas que se preocupam excessivamente com a saúde e têm certeza que sofrem de alguma doença grave, apesar dos exames médicos mostrarem o contrário.

    Hipocondria é um problema tão antigo que desde a época de Hipócrates, o pai da medicina, já havia relatos sobre o mal. A origem de seu nome está associada a queixas de dor na região do hipocôndrio, palavra grega que se refere à uma área abdominal abaixo das costelas. Ela pode acontecer em qualquer idade e atinge tanto homens quanto mulheres. Existem graus leves ou simples traços de hipocondria, nem todos os hipocondríacos peregrinam por consultórios médicos, alguns certos de que possuem determinada doença optam pela auto-medicação. Geralmente essas pessoas mantêm verdadeiras farmácias em suas casas e se separar delas durante uma viagem é simplesmente impensável. Não há nenhum modo conhecido de prevenção.

    Embora o nome tenha sido banalizado, a hipocondria ainda é pouco conhecida e são poucos os que admitem sofrer com o problema. ‘Eu já fui hipocondríaco. Às vezes tenho uma recaída, mas já não sofro como antes’, afirma Sebastião de Melo Nunes. Mesmo não se considerando hipocondríaco, o contador confessa que esta semana confundiu um resfriado com uma pneumonia. ‘Eu peguei um resfriado esta semana e acabei me preocupando demais. Eu tinha certeza que estava morrendo por causa de uma pneumonia’, conta. A situação só foi contornada depois que Sebastião recebeu os resultados dos exames que descartavam a possibilidade de qualquer doença séria como pneumonia.

    ‘Depois que soube que era só um resfriado até os sintomas que estava sentindo sumiram. Sai do consultório outra pessoa’, diz.

    Confundir um resfriado com uma pneumonia é apenas mais um capítulo na vida deste homem que há 15 anos não passa um dia sem tomar remédios. ‘Tenho vários remédios em casa, alguns foram prescritos por médicos, outros comprei por indicação de amigos e muitos são preventivos. Tomo pelo menos uns nove comprimidos por dia’, contabiliza Sebastião. Apesar da quantidade de remédios assustar, o contador afirma que o cenário já foi muito pior.

    ‘Eu já entrei no Incor (Instituto do Coração do Pará) com a mão sobre o peito gritando que estava infartando’, conta. ‘Me colocaram em uma maca e me levaram para o médico. Ele me olhou, disse que eu não tava com a aparência de quem estava infartando, mas mesmo assim me examinou e me mandou fazer alguns exames. Quando o resultado saiu ele me perguntou: ‘Quem te disse que você estava infartando?’, eu respondi que tinha certeza que tinha sofrido um infarto e não podia acreditar no contrário’, relata.

    A situação se agravou ainda mais quando o cardiologista pediu para conversar com a irmã de Sebastião. ‘Naquela altura eu já tinha mobilizado a família inteira. Minha irmã estava no consultório comigo e quando o médico pediu para conversar a sós com ela eu tive a certeza de que estava morrendo e estavam escondendo isso de mim’, conta, agora entre risos.

    Foi preciso muita paciência e carinho da família para que o corretor admitisse que estava com um problema emocional. Ele conta que foi graças às conversas que teve com seus irmãos, esposa, filhos e com um psicólogo que conseguiu atenuar a doença. Hoje, ciente de que se livrou de um grande problema, Sebastião lembra com bom humor da época em sua doença era motivo de brincadeiras. ‘Uma vez eu estava com uma dor tremenda e meu filho me deu um remédio dizendo que era muito bom eu tomei e fiquei bom, mas logo depois ele me disse que era apenas um placebo (uma substância sem propriedades medicinais, como uma pílula de açúcar)’, lembra.

    DIAGNÓSTICO

    Apesar de ser uma doença de caráter psicológico, a hipocondria tornou-se tão comum que a maioria dos clínicos gerais estão familiarizados com este mal. Geralmente são eles que suspeitam da doença, mas o diagnóstico deve ser confirmado pelo psiquiatra ou psicólogo, que se baseia nas queixas clínicas da pessoa, em sua história médica, no exame físico feito pelo médico e em exames complementares. Foi o que aconteceu com Sebastião Nunes.

    Seu médico particular foi um dos primeiros a suspeitar que as constantes queixas feitas por Sebastião poderiam ser sinais de hipocondria. Como o médico é também cunhado do paciente, as consultas não se restringiam ao consultório e o contador costumava aproveitar cada encontro para uma rápida consulta com Sebastião. ‘Meu cunhado teve muita paciência comigo. Ele sempre conversava comigo, procurava me explicar sobre as doenças e sempre me acalmava quando estava aflito. Sua ajuda foi fundamental para que eu vencesse a hipocondria’, conclui.

    O tratamento da hipocondria é feito com terapia, medicamentos ou ambos. Atualmente, a terapia cognitiva comportamental tem se mostrado eficaz em ajudar as pessoas com esse disturbio. Os terapeutas ensinam aos pacientes a focalizar menos em seus sintomas e falar como a tensão, a ansiedade e a depressão podem aumentá-los. Durante a terapia é mostrado ao paciente que as ações que normalmente tomam para aliviar a ansiedade (coçar-se, informar-se demasiado sobre doenças, ficar peregrinando de médico em médico, etc.), podem tornar as coisas piores. Os terapeutas também ensinam a pessoa a se distrair e a desenvolver técnicas de relaxamento. ‘Eu aprendi a relaxar e a procurar fazer outras atividades para pensar menos em doenças. Como toco teclado, passei a dedicar mais tempo a esse hobby, como forma de não pensar em algum sintoma. A mudança na rotina foi bastante reconfortante’, ensina.

    ‘Auto-consultas’ pela internet são perigosas, afirmam especialistas

    Por se preocupar ao extremo com sua saúde, o hipocondríaco está sempre a par da chegada de um novo medicamento no mercado ou de uma nova doença. Para isso, além dos jornais e revistas especializadas eles contam com um poderoso aliado: a internet. Além de fonte de informações, a internet tem funcionado como um consultório digital. Certos de que estão doentes, os hipocondríacos, vasculham sites em busca de doenças que expliquem seus sintomas e mais ainda, eles procuram o tratamento para seus males. O que desencadeia um perigoso ciclo de auto-diagnóstico e consequente auto-medicação.

    Essa geração de hipocondrícos que se alimentam de informações médicas – nem sempre confiáveis – está sendo chamada de cybercondríacos e o número de integrantes desse grupo não para de crescer. Um estudo feito pela empresa Harris Interactive em 2007, nos Estados Unidos, constatou que cerca de 160 milhões de internautas já usaram a web para pesquisar sobre saúde – um número que, segundo os pesquisadores, cresceu em 37% nos últimos anos.

    Ano passado, a empresa de tecnologia Microsoft, fez uma pesquisa similar a realizada pela Harris Interactive, entretanto, os dados da Microsoft abrangem não só os Estados Unidos, mas o mundo todo. O objetivo da empresa ao encomendar a pesquisa era fazer melhorias em seu site de busca, mas apresentou resultados expressivos acerca de pesquisas médicas. O estudo revela que cerca de 2% de todas as buscas na Internet analisadas foram relacionadas a saúde.

    Além da quantidade de acessos aos sites médicos, o estudo feito pela Microsoft provou que ao digitarmos um sintoma comum, como dor de cabeça, em um site de busca a probabilidade de sermos direcionados a uma página descrevendo condições graves de uma doença são maiores do que acessarmos um site descrevendo condições benignas – embora doenças graves sejam muito mais raras.

    Faça o teste: digite ‘dor no peito’ num site de pesquisas e você verá que as dez primeiras páginas – de um universo de mais de um milhão – relacionam a dor no peito com infarto, angina, abcesso ou tumor pulmonar. Os resultados assustadores são muito mais comuns, embora as chances de que uma pessoa tenha um ataque cardíaco ou esteja sofrendo de uma condição neurodegenerativa fatal sejam muito menores do que as chances de que ela tenha uma simples indigestão ou tensão muscular, por exemplo.

    Conheça alguns sintomas de um hipocondríaco

    DOR NO PEITO

    O que mais temem:

    estar num processo de infarto

    Causas mais prováveis para o sintoma, segundo os especialistas:

    em cerca de 80% dos casos, a dor no peito não tem relação com problemas cardíacos, mas, sim, com um conjunto heterogêneo de fatores: de refluxo gástrico a ansiedade e dores musculares. A dor acompanhada de azia costuma ser sinal de refluxo. Já a sensação de pontadas em geral tem origem muscular

    Quando se preocupar:

    a dor típica de um infarto é a de um aperto no peito.

    Ela costuma partir da região do coração e migrar para os braços, a mandíbula e as costas. Uma dor dessa natureza, que persista por mais de cinco minutos, é motivo suficiente para procurar o pronto-socorro

    Sugestão dos especialistas: como medida preventiva, sedentários, fumantes e hipertensos com mais de 45 anos devem estar sob acompanhamento médico regular

    SEDE CRÔNICA

    O que mais temem:

    sofrer de diabetes tipo 2

    Causas mais prováveis para o sintoma, segundo os especialistas:

    a prática diária de exercícios físicos e a ingestão de alguns dos medicamentos mais prescritos nos consultórios médicos, como diuréticos e antidepressivos, são dois hábitos que estimulam a sede. Outra informação aos exagerados de plantão: essa é uma sensação comum em ambientes quentes e com baixa umidade no ar.

    Quando se preocupar:

    O diabetes tipo 2 provoca, além de sede crônica, um conjunto típico de sintomas: aumento de apetite, perda de peso, fadiga e, sobretudo, uma permanente vontade de urinar. Se a sede vier associada a um deles, recomenda-se procurar o médico. Ele deve indicar um teste simples – de urina ou de sangue – para esclarecer a questão.

    Sugestão dos especialistas: aos atletas, beber até 3 litros de água por dia. Às outras pessoas, 2 litros diários é uma boa dose. Por via das dúvidas, o exame de diabetes tipo 2 deve ser feito, periodicamente, depois dos 50 anos e nos casos de obesidadeDA OCASIONAL

    DE MEMÓRIA

    O que mais temem:

    Ser vítima do mal de Alzheimer

    Causas mais prováveis para o sintoma, segundo os especialistas:

    Ele tem origens variadas – de estresse e depressão a insônia e consumo regular de bebidas alcoólicas. Alguns remédios (ansiolíticos e antidepressivos) também podem levar a lapsos de memória. Um dado para os mais aflitos: em apenas 5% das vezes o Alzheimer aparece em pessoas com menos de 65 anos

    Quando se preocupar:

    Se a perda de memória começa a comprometer de forma decisiva o dia-a-dia do paciente. Nesse caso, pode, sim, tratar-se de Alzheimer ou, ainda, de outro distúrbio neurológico. Cabe ao médico investigar para dar a palavra final.

    Sugestão dos especialistas:

    Dormir pelo menos sete horas por dia – está provado que surte bom efeito à memóriaDIFICULDADE DE RESPIRAR

    O que mais temem:

    Sofrer de doença cardiovascular ou de origem pulmonar

    Causas mais prováveis para o sintoma, segundo os especialistas:

    Falta de ar é um sinal clássico de ansiedade – nesse caso, é descrita na literatura médica como ‘dispnéia suspirosa’

    Quando se preocupar:

    Apenas quando a falta de ar piorar com um pequeno esforço físico, apresentar-se com outro sintoma, como a arritmia cardíaca – e intensificar-se depois de 24 horas

    Sugestão dos especialistas: nesse caso, procure um médico, que investigará o problema por meio de um raio X do tórax e de um eletrocardiograma.OR DE CABEÇA CRÔNICA

    O que mais temem:

    Ter um tumor na cabeça ou sofrer de meningite

    Causas mais prováveis para o sintoma, segundo os especialistas:

    Se a queixa for apenas de uma dor de cabeça que não passa, jamais levantará no médico a suspeita sobre uma dessas doenças. As duas razões mais comuns para o sintoma são sinusite e enxaqueca.

    Quando se preocupar:

    A hipótese de um tumor começa a ser levada a sério se, além da dor de cabeça, o paciente apresenta outros sintomas, como fraqueza muscular, perda de sensibilidade em regiões do corpo e distúrbios de visão, fala e audição. Suspeita-se de meningite, por sua vez, apenas quando há febre alta.

    Sugestão dos especialistas:

    Procurar o médico caso a dor cresça de intensidade e persista mais de uma semana. Para tirar a questão a limpo, ele poderá prescrever uma tomografia do cérebro e uma ressonância magnética.CONSTANTE

    O que mais temem:

    Ter câncer de pulmão ou padecer de tuberculose

    Causas mais prováveis para o sintoma, segundo os especialistas:

    Em geral, trata-se de resquício de uma gripe ou resfriado. Sinusite – aquela inflamação dos seios da face deflagrada pela gripe, e que dura semanas – é outra razão comum para o sintoma.

    Quando se preocupar:

    As doenças das quais se teme sofrer vêm sempre acrescidas de outros sintomas. Nos casos do câncer de pulmão, a tosse (seca e com sangue) é acompanhada de falta de ar. A tuberculose, por sua vez, provoca, além da tosse (com sangue), febre, suor excessivo e emagrecimento.

    Sugestão dos especialistas:

    Uma tosse que persista mais de um mês pede a palavra de um especialista. Na maioria das vezes, trata-se de uma inflamação – e por essa razão é tratada com antibióticos.

    O LIBERAL – PA 31/03/2009

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