A forma como o medicamento é administrado também influencia na ocorrência ou não das interações, como afirma Rosany Bochner, coordenadora do Sinitox. Assim, se houver necessidade de o paciente ingerir mais de uma substância, deve-se escolher horários distintos para a ingestão de cada uma. Quando ingeridos simultaneamente ou num curto espaço de tempo, existe a possibilidade de que um determinado medicamento anule o efeito do outro.
Os hábitos individuais devem ser levados em conta pelo médico antes de prescrever um medicamento. Isso porque, segundo os especialistas, as interações alimento-medicamento ocorrem da mesma forma que as de medicamento-medicamento. Não se deve esquecer que álcool e cigarro exercem a mesma influência dos alimentos.
Ao contrário do que se acredita, é melhor ingerir remédios com o estômago vazio, já que os alimentos podem afetar a absorção gastrintestinal dos medicamentos. O antibiótico, por exemplo, não deve ser tomado com leite ou logo depois de a pessoa se alimentar. Deve ser ingerido em jejum, uma hora antes, ou duas horas após as refeições.
Para cada medicamento deve ser avaliado o melhor horário de administração, pois existem medicamentos que não sofrem influência de alimentos; outros têm sua absorção diminuída ou aumentada.
Até mesmo a quantidade de ácido produzido pela ingestão de alimentos pode alterar a absorção de remédios administrados concomitantemente por via oral. Assim, muitas drogas podem ter sua absorção gastrointestinal diminuída (ou aumentada ) devido à presença de alimentos.
Um sinal de que poderá haver a interação é quando o paciente permanece na boca com o gosto desagradável do medicamento ingerido. A ocorrência de diarréia depois do consumo de um medicamento pode sugerir a interação alimento-medicamento. Como agente sedativo e hipnótico, o álcool (etanol), associado a outras drogas, pode provocar efeitos clínicos importantes. As interações perigosas mais comuns ocorrem com os antidepressivos e sedativos. O etanol também potencializa os efeitos farmacológicos de muitas drogas não-sedativas, como os vasodilatadores e os hipoglicêmicos orais.
Já no caso do cigarro, a quantidade de substâncias liberadas, como o monóxido de carbono, cianureto e nicotina, representam um grande potencial para o desenvolvimento de interações medicamentosas. Estudos a respeito da interação fumo-medicamento mostram que o cigarro pode reduzir a absorção de insulina, aumentar as chances de acidente vascular encefálico e ainda provocar a cardiopatia isquêmica em mulheres que consomem anticoncepcionais orais.
SIMULTÂNEOS Se dois medicamentos com ações opostas (antagonistas) interagirem, um pode anular o efeito do outro. É o caso dos anti-inflamatórios não esteroidais (Aines), muito usados, como o ibuprofeno, que, tomados para combater a dor, fazem com que o organismo retenha sal e água. Os diuréticos, por sua vez, ajudam a eliminar o excesso de sal e água do organismo. Se esses medicamentos forem tomados simultaneamente, o Aines diminuirá (fará oposição) a eficácia do diurético. “É por isso que a presença do farmacêutico na farmácia e nos centros de saúde é de extrema importância”, avalia Sérgia Andréa. Junto com o médico, ele é quem deve dar orientações ao paciente sobre o que usar e como deve ser feita a administração do medicamento.
Para evitar as interações, Rosany Bochner acredita que é preciso que a população reveja seus hábitos de consumo de medicamentos e que seja redobrado o cuidado com as crianças, com o desenvolvimento de embalagens seguras por parte das indústrias. “No Brasil, não existe obrigatoriedade nesse sentido. As embalagens só são diferenciadas nos casos em que o fabricante exporta para países que fazem a exigência”, diz. (VJ)
Paciente racional
• Evite a automedicação. Somente adquira remédios prescritos pelo médico. Nunca pela propaganda ou por indicação de outras pessoas. Cada organismo reage de uma forma;
• Não saia da consulta com dúvidas a respeito da receita médica. Peça ao médico esclarecimentos sempre que for necessário;
• Somente substitua medicamentos por similares sob recomendação médica;
• Guarde os medicamentos bem fechados em local seguro, longe do alcance de crianças (mãos e olhos);
• Mantenha os medicamentos nas embalagens originais ;
• Os medicamentos devem ficar protegidos da luz, do calor e de fontes de radiação (TV, micro-ondas etc.);
• Não guarde medicamentos na cozinha ou no banheiro, pois são lugares quentes e úmidos. Observe que todo medicamento apresenta em sua embalagem a temperatura ideal em que deve ser mantido;
• Não guarde medicamentos com embalagens parecidas em lugares muito próximos (uso adulto e uso pediátrico);
• Evite colocá-los junto com material de limpeza, de higiene pessoal etc.;
• Não tome ou dê medicamento no escuro;
• Verifique a validade e o estado de conservação dos medicamentos antes de usá-los;
• Conferir a dose (colher, gotas etc);
• Usar somente o frasco medidor da embalagem;
• Nunca tente convencer uma criança a tomar um remédio dizendo que é bala ou doce. Diga sempre que se trata de um medicamento;
• Mantenha a atenção no momento da administração do medicamento. Se usar óculos, esteja com ele na hora de tomar ou de dar o medicamento;
• Nunca deixe medicamentos sobre a mesa de cabeceira ou outros locais acessíveis às crianças
Fonte: Sinitox
ESTADO DE MINAS – MG 30/03/2009