Uma colher de chá para o frio
Receitas, prescrições e fórmulas de chás capazes de esquentar e manter o corpo hidratado
Ele pode ser um remedinho, daqueles que a vovó fazia, ou uma companhia indispensável para os dias mais frios. Fácil de fazer – basta uma chaleira de água fervente e um punhado de ervas –, o chá tem o poder de aquecer. Resta saber o que misturar nesta poção mágica.
O conselho de Cid Aimbiré M. Santos, especialista em Farmacognosia (antigo ramo da farmacologia que estuda os princípios ativos naturais) e professor da Universidade Federal do Paraná, é acrescentar ao chá algumas especiarias – cravo, canela, gengibre, raspas de limão, anis, cardamomo, pimenta-de-cheiro –, que são chamadas pela fitoterapia de ervas “quentes”, especialmente nos sistemas ayuvérdico (indiano), chinês e de Samuel Thompson (1769-1843). O sistema de Thompson baseia-se nos quatro elementos da natureza – terra, água, ar e fogo – e sua mensagem é simples: calor é vida. Segundo ele, explica o professor, doenças são graus de “frio” e o calor prove a cura. O sistema da Medicina Tradicional Chinesa, por sua vez, ensina que o calor da água e o sabor da planta contribuem para sua eficácia como curativa.
As receitas para o frio são, então, formas de manter o corpo aquecido, seja pelo calor do chá, seja pelo entendimento de que algumas plantas são “frias” e outras “quentes”. Para a maioria dessas especiarias não existe contra-indicação, mas algumas são alergênicas, como a canela. Em certos casos, ela tem efeito abortivo. “Na gravidez e lactação deve-se evitar o uso, especialmente em exagero”, diz Santos.
Outra boa razão de consumir mais chá no inverno é aumentar a ingestão hídrica, que tende a diminuir nos meses de frio. A cota diária de consumo por pessoa deveria ser de pelo menos 1,5 litro de água – e o chá pode entrar nesta conta. “Evite, no entanto, agregar outras substâncias ao chá, como o leite que, pela presença de caseína (uma proteína), inibe atividade antioxidante do chá. Bebidas alcoólicas ajudam a esquentar, mas alteram muito o sabor e o aroma do chá”, diz o professor. Já a adição de frutas pode ser uma boa alternativa, pois elas são importantes fontes de flavonóides e consideradas boas antioxidantes e quimioprotetoras naturais.
Reações adversas
As plantas usadas para fazer um chá são constituídas de diversas substâncias químicas ativas. Portanto, seu uso nem sempre é inofensivo. Muitas pessoas que não têm o hábito de tomar chá e começam a fazê-lo de forma exagerada no inverno podem, segundo Cid Aimbiré, desenvolver alergias, por exemplo. Assim, é importante conhecer os efeitos colaterais que algumas plantas podem apresentar. Sintomas como dor de cabeça, dores estomacais e reações alérgicas podem ser decorrentes do uso errado das plantas. Ocorrendo qualquer desses “avisos” a pessoa deve procurar um médico.
Prepare certo
Para cada tipo de erva, há uma forma de fazer. Se ela for fresca, você precisa deixá-la ferver por cinco minutos para que a água absorva as propriedades. No caso de ervas desidratadas, prefira a infusão: coloque-a na água quente e deixe repousar por três minutos. Assim como um suco de frutas, o chá também oxida quando exposto ao ar e, aos poucos, perde as características terapêuticas. Por isso, o ideal é consumir o líquido logo que for feito.
Chá dentro da lei
Existem três Resoluções de Diretoria Colegiada (RDC) da Anvisa que regulamentam os chás. Segundo a RDC 277, chá é um produto constituído de uma ou mais partes de espécie(s) vegetal(is), fragmentada(s) ou moída(s), com ou sem fermentação, tostada(s) ou não, constantes de Regulamento Técnico de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás. Ao chá pode ser adicionado aroma ou especiaria para conferir sabor. O chá comercializado em supermercados deve ter registro na Anvisa como alimento.
GAZETA DO POVO – PR 07/08/2008











