A gripe é uma doença respiratória aguda, causada pelo vírus influenza, e ocorre em surtos ou epidemias, com grande impacto na saúde da população.
É importante diferenciar gripe e resfriado?
Sim, o resfriado pode ser provocado por diferentes vírus respiratórios (rinovírus, adenovírus, parainfluenza e até mesmo o vírus influenza, entre outros) e caracteriza-se por sintomas de vias aéreas superiores, como coriza, obstrução nasal, prurido nasal, dor de garganta, conjuntivite, podendo ocorrer tosse.
A gripe é provocada exclusivamente pelo vírus influenza e, além de apresentar os sintomas de vias aéreas superiores e inferiores (pulmões) em maior intensidade que o resfriado, caracteriza-se por repercussão com comprometimento do estado geral no corpo.
O impacto da gripe sobre a população
Durante o curso de uma epidemia, cerca de 20% da população mundial é acometida. Nos Estados Unidos ocorrem mais de 100.000 internações por ano como consequência da gripe.
Um estudo revelou que, no período de 10 anos, as epidemias de gripe foram responsáveis por 426.000 mortes nos Estados Unidos.
A gripe também tem importante impacto na economia, pois é uma das principais causas de afastamento temporário do trabalho e absenteísmo escolar.
Quando suspeitar de um surto de gripe?
O indicador mais precoce do início de um surto de gripe é o aumento das doenças respiratórias febris em crianças. A epidemia de gripe tipicamente inicia-se de maneira abrupta, atinge seu ápice em três semanas e dura cerca de dois a três meses.
O vírus influenza se transforma e por isso não temos imunidade
Há dois tipos de modificações:
Antigenic drift são pequenas variações antigênicas do vírus influenza, que acontecem anualmente. São resultados de mutações do genoma viral, com consequente modificação de amino-ácidos. Essas modificações ocorrem com os vírus influenza A e B e têm como resultado o surgimento de uma nova variante viral, capaz de escapar da imunidade estimulada por uma infecção ou vacinação anterior. Em função da seleção natural, esse novo vírus passa a ser o predominante e advém uma nova epidemia de gripe. Com isso, uma nova vacina é fabricada a cada ano.
Antigenic shift são grandes variações do vírus influenza, que ocorrem em intervalos irregulares de 10 a 40 anos. São resultados da substituição de um ou ambos segmentos do genoma. Isso ocorre quando um determinado animal (por exemplo, o porco) é infectado por vírus influenza humano e de outra espécie (por exemplo, influenza de ave), de tal maneira que há uma recombinação entre os diferentes materiais genéticos e o surgimento de um vírus totalmente novo. Essa modificação somente acontece com o vírus influenza A, que é o único com grandes reservatórios animais (aves, porcos, cavalos, etc). Como não existe imunidade contra este novo vírus influenza, a doença se dissemina de forma rápida e tende a atingir dimensão mundial, resultando em uma pandemia, relata a médica Adriane Tischler.
A transmissão da gripe
A disseminação do vírus influenza ocorre por meio das secreções respiratórias, principalmente na forma de aerossol. Ainda há a possibilidade de transmissão pelo contato das mãos, que posteriormente são levadas à boca com a secreção contaminada.
As pessoas infectadas pelo influenza geralmente são capazes de transmitir a gripe desde um dia antes até sete dias após o início dos sintomas. No entanto, algumas crianças podem permanecer contagiosas por períodos maiores do que uma semana.
O tempo de incubação da infecção pelo vírus influenza varia de um a quatro dias.
As complicações da gripe
A gripe, na grande maioria dos casos, é uma infecção com curso benigno e autolimitado. No entanto, em algumas situações ela pode evoluir com complicações graves e inclusive levar ao óbito.
As principais complicações são as infecções bacterianas secundárias: pneumonia, otite e sinusite. A pneumonia pode também ser provocada pelo próprio vírus ou ser mista, viral e bacteriana. A gripe é uma importante causa de crises nas pessoas que têm bronquite, enfisema e asma.
Miosite e rabdomiólise são complicações relatadas, principalmente em crianças.
A pneumonia provocada pelo vírus influenza
A pneumonia provocada pelo influenza (tipo A e B) é incomum dentro do quadro gripal, porém, costuma ter evolução mais grave que as infecções bacterianas. Segundo um estudo, durante uma epidemia de gripe 2% a 18% dos pacientes adultos hospitalizados por pneumonia tinham como etiologia o vírus influenza.
Os pacientes apresentam-se com os sintomas típicos da gripe, seguidos de aumento da tosse, surgimento de dispneia e podem evoluir, nos casos mais graves, para insuficiência respiratória aguda. Essa piora clínica da gripe costuma ser dramática, ocorrendo em poucos dias (um a quatro dias). Há expectoração em metade dos casos e algumas vezes há tosse com sangramento.
Bactérias
As bactérias que mais frequentemente provocam pneumonia após um quadro gripal são a streptococcus pneumonia e (48%) e a staphylococcus aureus (19%), agente etiológico pouco comum nas pneumonias comunitárias, têm sua incidência elevada significativamente durante as epidemias de gripe.
A pneumonia, como complicação da infecção pelo influenza, é mais comum em pessoas com doenças cardíacas e pulmonares, bem como pessoas com diabetes, doença renal ou imunossupressão, refere a cardiologista Adriane Tischler.
Prevenção da gripe
A medida de maior impacto na saúde pública para prevenção da gripe é a vacinação. Existem medicações capazes de prevenir a gripe, porém, elas devem ser indicadas de forma individualizada.
Fonte : Jornal do povo - RS 15/03/2009