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No blog de '2017' 'janeiro'

Três dias, uma fruta: testamos o ritual de detox com uva

Três dias, uma fruta: testamos o ritual de detox com uva

Tratamento é o mais tradicional da França, que promete boost de energia, pele e cabelos renovados e, claro, quilos a menos

 
 (Foto:  Jaques Dequeker / Arquivo Vogue, Mario Testino / Arquivo Vogue, Philippe Kliot / Arquivo Vogue, Raphael Briest / Arquivo Casa Vogue, Reprodução Instagram, Imaxtree, Kevin Mazur / Getty Images, Condé Nast Digital Archive, Thinkstock, e Divulgação)

Quando me mudei para Paris há três anos, entendi logo que a capital francesa não era o lugar onde modismos se propagavam com facilidade - ainda que nos últimos dois anos a cidade tenha surpreendido com novos restaurantes healthy e com a adoção da avocado toast em alguns cafés mais antenados.

Mas, ainda que as locais comam steak tartare com fritas sem culpa e não troquem o café preto por um smoothie de legumes com chia pela manhã, existe um ritual desintoxicante que boa parte delas adota pelo menos uma vez por ano.

É entre o fim de setembro e o início de outubro que começa a temporada da chamada cura da uva, detox popular na França desde a década de 20, quando a aristocracia se reunia em vinhedos na região de Moissac e passava dias a fio comendo uvas recém-colhidas.

A fama dessa prática, que em 1933 recebeu a aprovação da Academia de Medicina Francesa, veio após Johanna Brandt, enfermeira sul-africana (e espiã durante a Guerra dos Bôeres), atribuir a cura de um câncer de estômago às uvas em seu livro The Grape Cure.

Mathilde Thomas, fundadora da Caudalie - marca francesa conhecida pelos cosméticos feitos à base de extratos da fruta -, pratica o ritual todos os anos, desde 1998. “Os benefícios são muitos: sinto a minha pele melhor, umboost de energia e, claro, uma perda de peso que anima. Além disso, o pós exige uma alimentação bem equilibrada, essencialmente vegetariana, o que ajuda a me manter na linha”, conta a francesa.

“A uva é a fruta do detox por excelência. Ela é rica em oxidantes, flavonoides e tem um efeito depurativo significante que age nos rins, fígado e intestino. Além disso, seu teor de açúcar garante energia”, explica Valérie Espinasse, nutricionista parisiense expert no assunto.

No começo do outono passado, no auge da oferta da fruta, decidi me aventurar pela primeira vez nesse desafio. Fiquei estimulada após ver os efeitos em uma amiga que, munida de cachos de uva dentro da bolsa, parecia ter rejuvenescido dez anos, ostentando cabelos e pele reluzentes.

Antes de começar a substituir todas as minhas refeições pela fruta, me preparei: li bastante sobre o assunto, inclusive o Le Petit Guide de la Cure du Raisin, com depoimentos reais de pessoas que afirmam ter melhorado sintomas e doenças ligadas ao sistema digestivo após fazer o detox da uva por uma ou mais vezes.

Também fiz um tour por mercadinhos orgânicos para garantir uma boa variedade de sabores. Além disso, cortei o álcool alguns dias antes e convenci meu marido a encarar o desafio comigo.

Foi então que na manhã de uma segunda-feira, munida de todos os tipos, cores e tamanhos de uvas, comecei o ritual. Coloquei como meta três dias - o tempo ideal, segundo Valérie, para qualquer monodieta.

O primeiro dia foi fácil. Segui todos os conselhos à risca: comer à vontade quando e onde tivesse fome (grande vantagem, já que a fruta exige preparação zero), misturar diferentes tipos, ingerir a casca e as sementes, beber bastante água e tisanas - todas as outras bebidas, incluindo café e sucos,devem ser eliminadas.

O café da manhã foi o mais fácil e, no almoço, sem precisar me sentar em um restaurante, passei um tempo caminhando e comendo as uvas.

No fim do dia, estava me sentindo tão bem que decidi correr e fiquei surpresa com a minha energia - ainda que alguns experts digam que é melhor evitar as atividades físicas intensas no período.  

No dia seguinte, acordei menos entusiasmada e com uma dor de cabeça que se manteve até a noite. Mesmo assim, continuei no mesmo ritmo e troquei a corrida por uma caminhada que aliviou o incômodo.

Tive de declinar o convite de um jantar - o caráter pouco sociável da cura é um dos pontos negativos.

No terceiro dia, o café da manhã frugal me desanimou e, no almoço, acabei encerrando a cura graças a uma comemoração inesperada que merecia o desvio - mas, claro, não troquei de cara a uva pelo vinho.

Ainda que não tenha completado os três dias, mantive os conselhos pós-regime: uma dieta leve, sem álcool ou açúcar, e à base de legumes e cereais. Instintivamente minha alimentação entrou nos trilhos: comecei a prestar mais atenção no que entra no meu prato, a identificar todos os sabores e a mastigar mais devagar. Os efeitos físicos foram notáveis: uma leve perda de peso, pele hidratada e energia de sobra. Este ano, farei de novo. E, desta vez, até o fim. 

CURA EM CACHOS

ANTES E DEPOIS
A preparação e o pós são tão importantes quanto os dias de detox. Saem do cardápio álcool, açúcar, carne vermelha; entram legumes e cereais

À VONTADE
A variedade de uvas é fundamental para quebrar a monotonia e mudar um pouco o sabor.  A casca e a semente são importantes e devem ser sempre ingeridas

NOVAS SAFRAS
Duas marcas que apostam em fórmulas à base dos ativos naturais das uvas trazem lançamentos de skincare

Desembarcou recentemente no Brasil o Soft Cream (R$ 329), novo produto da Resveratrol Lift, bem-sucedida linha da francesa Caudalie, que promete mais firmeza e diminuição das rugas com a combinação do resveratrol retirado das videiras e ácido hialurônico.

ivos extraídos das uvas também são a essência da Vinotage, marca fundada em meio às vinícolas do Grupo Famiglia Valduga, que produz vinhos no Sul do Brasil. Vale testar o esfoliante corporal com sementes de uvas moídas (R$ 54) da Vitis Merlot, lançamento da marca.

FONTE: 

http://vogue.globo.com/beleza/fitness-e-dieta/noticia/2017/01/tres-dias-uma-fruta-testamos-o-ritual-de-detox-com-uva.html