Relógio Biológico – Sono fica comprometido

Abril 26th, 2010 em Notícias

Nem todas as pessoas compartilham o mesmo ritmo. Essa constatação pode ser facilmente observada em relação ao sono. Enquanto alguns têm um perfil matutino, outros se sentem mais ativos à noite, como é o caso da estudante de psicologia Renata Cordeiro. Apesar de acordar bem cedo para pegar no batente, ela afirma que seu horário ideal de acordar seria por volta do meio-dia. Somente a partir desse momento é que ela considera estar pronta para começar o dia.

Além de sofrer para acordar cedo, ela ainda convive com sintomas como mau humor. “Sou extremamente anti-social de manhã, não gosto de conversar e fico muito sonolenta. Só funciono mesmo à noite. Não gosto nem um pouco da luz do dia.”

As características de Renata não implicam mudanças na saúde, na capacidade cognitiva nem no sucesso profissional – ao contrário do que diz o ditado “Deus ajuda a quem cedo madruga”, não há indicações científicas de que os matutinos tenham qualquer tipo de vantagem.

Mas o perfil pode mudar ao longo da vida, segundo Luiz Menna-Barreto. Crianças e idosos tendem a ser mais matutinos. Na adolescência, porém, há um “atraso” e isso faz com que os jovens sintam necessidade de ir para a cama mais tarde. No entanto, esse aspecto nem sempre é levado em consideração.

Curiosamente, a maioria das escolas brasileiras reserva o período da tarde para as crianças pequenas e o período da manhã para os alunos que entraram ou entrarão na adolescência. Mesmo com as aulas começando às 7h ou às 7h30, os jovens não são capazes de dormir mais cedo. Ainda mais se tiverem televisão, internet ou amigos por perto. Quando o despertador toca, o sono é interrompido e os adolescentes acabam sofrendo de privação parcial e crônica do sono. As conseqüências podem ser sonolência diurna excessiva, o que interfere no aprendizado, e problemas de memória.

ALTERAÇÕES Jennifer Ackerman destaca em seu livro exemplos dos efeitos de alterações no sono. Ela cita pesquisas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, que mostram que a privação de sono leva a falhas no processamento da glicose, altera os níveis do hormônio da fome e afeta o sistema imunológico.

Exatamente por trabalhar em turnos (três), o técnico de operação Rafael Cardoso Sampaio, de 26 anos, conhece os dissabores de ter que acordar em horários diferentes. Quando tem que acordar cedo, o problema é pior. “É muito difícil sair da cama. No turno em que a gente começa mais cedo, é nítida a dificuldade de concentração e a produtividade cai”, diz.

Quando começa a trabalhar à noite e, portanto, reserva o dia para dormir, vem o comprometimento do lado social. “Enquanto as pessoas estão vivendo, a gente está dormindo.”

“É muito difícil sair da cama. No turno em que a gente começa mais cedo, é nítida a dificuldade de concentração, e a produtividade cai”

Rafael Cardoso Sampaio,
técnico de operação

ESTADO DE MINAS – MG 30/04/2008

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